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TANGO, NO ME DEJES NUNCA!

Cheguei em casa por volta do meio-dia e quem encontrei lá? Meu primo argentino Hector Olivera. Ele estava com a sua surrada camisa retro da Argentina de 1986, desgastada pelo tempo e pela falta de títulos. Hector faz o tipo galã latino e catimbeiro. Lá na sua terra natal, ele trabalha como motorista de caminhão, eletricista, cambista de estádio e professor de tango nas horas vagas. De vez em quando, ele passa por aqui para, segundo ele, “degustar unas brasileñas”. Hector estava esfuziante com a vitória da Argentina sobre o Brasil por 3 a 0 e como não tem blog pediu para que eu cedesse algum espaço para espalhar sua felicidade na rede mundial de computadores. Aqui está a sua pequena e honrosa contribuição ( atenção, as opiniões emitidas são de total responsabilidade do portenho):
Olé, Olé, Olê, Olé, Olé, Olé, Olá
Olé, Olé, Olê, Olé, Olé, Olé, Olá
Soy argentino!
Soy argentino!
Argentina! Argentina!Argentina!Argentina!
Brasileño es uma cambada de maricón, borracho e cabrón!
(ele fez uma salada geral)
Bom, a última vez que vi tamanha alegria foi há dois anos, quando um outro primo meu, o francês Hector Olivier, comemorou o gol de Henry sobre o Brasil na Alemanha.
Mais uma vez o Brasil é vítima da maldição olímpica. Ou seria da desorganização e da empáfia olímpicas. Será vergonhoso para o futebol-arte-moleque-irresponsável brasileiro se as meninas levarem o ouro em Pequim. Não por elas, é claro. Mas por eles que tentam, tentam e negam fogo na hora H. Porém, a Argentina pode até ter prestado um serviço à pátria: depois disso deve ter acabado a brincadeira de Dunga treinador.
Meu primo Hector disse que eliminar o Brasil nas Olimpíadas é muito melhor que vencer 2 Copas Américas. Afinal, a Argentina tem 14 delas e o Brasil, 8. Já nas Olimpíadas, os argentinos podem ser bicampeões (e depois de hoje nem precisam) e o Brasil vai continuar buscando o único título que falta na sua galeria. De certa forma, ele tem razão.
Termino meu texto ao som das cornetas e dos panelaços de primo Hector. No futebol olímpico, o Brasil ainda não passou da Idade do Bronze.
A PIADA PRONTA DO DIA
Em 2004, o Brasil não foi à Olímpiada por causa do De Vaca. Em 2008, o Brasil perdeu a Olímpiada por causa do De Burro.

O SOL NASCE PARA TODOS, MAS BRILHA PARA POUCOS
DICA CULTURAL DO DIA
A HISTÓRIA OFICIAL (1985)

E nesse dia de Argentina, a minha dica de filme é uma produção argentina: “A história oficial” (“La historia oficial”, 1985). A história se passa em 1983, quando os hermanos vivem os últimos momentos da sangrenta ditadura militar. Alicia (a excelente Norma Aleandro, melhor atriz em Cannes por este papel) é uma professora que vive confortavelmente com seu marido, Roberto (Hector Alterio, de “A Patagônia rebelde”), e sua filha Gaby (Anália Castro). A filha é adotada, posto que o casal não tinha condições de gerar uma criança, mas ela nunca questionou a origem da criança. Até que ela é confrontada com a realidade através de sua velha amiga Ana (Chunchuna Villafañe), torturada pelo regime, e por seus alunos, que colam imagens de crianças e bebês desaparecidos. A partir daí ela começa a desconfiar da maneira que sua filha foi adotada e inicia uma jornada de dor, revolta e brigas, mas que irá finalmente trazer a verdade. Brilhante e honesto filme de Luís Puenzo, vencedor do Globo de Ouro e do Oscar de melhor filme estrangeiro. Oscar, outro prêmio que a Argentina já tem e o Brasil está longe de conquistar.
Filme: A história oficial
Gênero: Drama/ História
Duração: 112 minutos
Diretor: Luis Puenzo
Roteiro: Luis Puenzo e Ainda Bortnik
Elenco: Norma Aleandro, Hector Alterio, Anália Castro, Chunchuna Villafañe, Hugo Arana, Guillermo Battaglia, Laura Palmucci, Chela Ruiz e outros.

criado por heitor.1984
15:21:36