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Sei que já passou alguns dias, mas nunca é tarde para lembrar uma vitória tão significativa para o futebol mundial. Há 10 anos o Brasil engolia a sua soberba e perdia a final da Copa do Mundo para a França. Ou melhor: a França tripudiou o tão celebrado futebol-arte-moleque-irresponsável.
Muitos motivos podem explicar o ocorrido, mas, como estou sem nenhuma paciência para avaliar, prefiro ficar com a explicação mais fácil e irrefutável: a França jogou uma final de Copa e o Brasil, uma pelada de comercial de TV.
É claro que a arrogância brasileira vem de longe. Em 1974, na Copa do Mundo na Alemanha, o treinador Zagallo disse que beberia o suco da laranja, antes do confronto contra a Holanda. Resultado: Holanda 2 a 0, fora o baile.
Vinte anos depois, Zagallo, agora coordenador-técnico, viu o Brasil vencer a Holanda por 3 a 2. Quatro anos mais tarde, Zagallo, de novo treinador, testemunhou a vitória brasileira nos pênaltis, de novo contra a Holanda. Nesse jogo Cafu não atuou e foi substituído por Zé Carlos, que na época jogava no São Paulo (vejam só!), e imitava tudo que era bicho, mas segundo o jornalista Vítor Sérgio Rodrigues, na hora de imitar o Cafu, não deu certo.
O Brasil foi jogar a final contra a França achando que seria mais fácil que a semifinal. Desnecessário descrever os eventos pré-jogo, quando os jornalistas, dando o penta como certo, preferiram dar por encerrado o trabalho no hotel e perderam o pirapaque fenomenal do Ronaldo. Na hora que a França precisou do seu craque maior, Zidane, ele arrebentou. Na hora que o Brasil precisou do seu, ele teve um ataque.
Depois da derrota, os brasileiros passaram a caçar culpados. Até na CPI da Nike em 2000, o tal pirapaque fenomenal foi investigado. Falou-se até que a final estava vendida pela Nike e pela CBF para que o Brasil sediasse a Copa de 2006. Pessoal, no mundo altamente capitalista e competitivo que já existia na época, por que a Nike iria querer que o seu Brasil perdesse a final para a França, patrocinada pela Adidas? Vai ver que a Nike estava vendendo muito e os chefões da empresa já estavam sem tempo de contar tanto dinheiro. Quanta ignorância! Eu queria saber onde esses teóricos da conspiração se reúnem. No Orkut, em uma página emo? Numa igreja? Na sede dos Democratas? Num quartel? Ou num boteco chique? Vai ver é num hospício mesmo.
E pensa que os brasileiros aprenderam a lição? Que nada! Heródoto já dizia: “Devemos aprender com os erros do passado para não cometê-los no futuro”. O alemão Hegel foi além: “A história nos ensina que ninguém aprende com a História”. Mas acho que nenhum brasileiro deve ter ouvido falar desses caras. O Brasil chegou para a Copa de 2006 ( aquela que o Brasil iria sediar por vender a final de 98) com uma arrogância ainda maior que oito anos antes. Em todo programa esportivo, os jornalistas tinham certeza absoluta do Hexa (como se eles tivessem controle de coisas que não estão sob seu controle). Parreira desdenhava dos rivais. Ronaldinho Gaúcho era considerado melhor que Pelé...
Porém, em gramados alemães, mais uma vez havia um Zidane no caminho. E mais uma vez Zagallo estava lá, como um bibelô de porcelana da comissão técnica do Parreira ( o treinador propaganda enganosa). Zagallo, para não perder o hábito, deu uma declaração subentendendo que o que aconteceu na final de 98 foi um golpe de sorte e que na nova ocasião seria tudo diferente. Zizou provou o contrário. Não fez gol. Desta vez, preferiu dar um show particular e ser o autor do passe para o gol de Henry que liquidou com a empáfia brasileira.
E os teóricos da conspiração? Onde estavam após o jogo? Escondidos em alguma festa emo ou no colinho da mamãe, possivelmente desmoralizados com o fato de aquilo ser muita coincidência para ser mera coincidência. Nem CPI teve, mas já imaginou se tivesse? Adoraria ver um senador perguntando:
- Sr. Teixeira, por que o senhor vendeu os treinos da seleção em Weggis?
- Roberto Carlos, por que você estava ajeitando o meião?
- Ronaldo, por que você levou um chapelaço do Zidane?
- Zagallo, cadê você?
- Zidane, por que você jogou tanta bola?
E o francês daria aquele sorriso maroto, perplexo coma própria genialidade.
Zidane deu uma cabeçada em Materazzi depois? E daí? Gênios são complicados e cabeças-duras (com o perdão do trocadilho). Com Zidane não seria diferente.
A vitória francesa de 98 serviu para mostrar que o Brasil não era mais o mesmo. Já não era o melhor. Ou se era, já não numa distância quilométrica como décadas antes. Mas cegados pela ignorância o Brasil voltou a cair na própria armadilha em 2006.
Bem, enfim são 10 anos. Falei de 98 e de quebra de 2006, porque como já dizia Karl Marx: “ A história acontece como tragédia e se repete como farsa.” Aqui ficam algumas palavras de alguém que não leva discursos inflamados de ufanismo a sério. O dia da glória e da verdade chegou para nunca mais acabar. Liberte, Egalitè, Fraternitè. Escrevi para depois ninguém me acusar de ter ajeitado o meião enquanto passava o bonde da história.
OS PERSONAGENS DA FINAL GLORIOSA

Zidane colocou tudo em seu devido lugar. Barthez, ao lado de Lebouef, foi o único careca a jogar na final.

Ronaldo é fenomenal até nos piripaques. Já Zagallo comeu o brioche que o Diabo amassou.

criado por heitor.1984
14:48:24